Acabei de ler uma crônica da Martha Medeiros, sobre decoração de apartamentos, onde ela diz que há uma regra de decoração que merece ser obedecida: para onde quer que se olhe, deve haver algo que nos faça feliz. Concordo plenamente com ela. Mas essa crônica me levou a pensar em outro tipo de decoração. A decoração dos interiores da nossa casa primeira: o nosso eu! Digo interiores, no plural, porque concordo com Pessoa, quando afirma que “há mais eus do que eu mesmo”.
Cada vez mais acredito que, antes de decorarmos nosso interior, devemos conhecê-lo tanto quanto possível. Expulsar nossos inquilinos indesejados (aqueles fantasmas que nos assombram) para, só então, começarmos a decoração apropriada.
Alguém já disse que nosso maior medo é a nossa luz e não as nossas sombras (acho que foi Mandela)... E quem não acendeu a luz, me pergunto?
Nossos fantasmas não vêm da rua, ao nosso encontro, ameaçando nossa “falsa” estabilidade. Eles vêm de nós. Do que cultivamos ou deixamos de cultivar, ao longo do caminho. Do desconhecimento que vai enchendo a mente e o coração de medo. Pessoas dominadas pelo medo ou ficam paralisadas e não vivem dignamente, por não se permitir decorar seu interior; ou, ainda, enlouquecem, cometem atrocidades (aquelas que dizem temer vir de fora)!
São aquelas que fogem do analista. Fogem de casa, de cidade, de estado, de país, de continente. Trocam a cor do cabelo, o estado civil, o sexo, o companheiro, o time de futebol, a religião. Mas o medo e o vazio as segue perseguindo: vorazmente, incessantemente... inexoravelmente!
E tudo porque se recusaram a usar um artefato que numa casa material chama-se espelho. Na casa da alma o espelho, na minha ótica, chama-se silêncio! O silêncio e a tranqüilidade e a coragem acabarão refletindo o que somos. O que realmente somos. E o que nos falta para sermos felizes! O movimento pode causar dor, mas, vamos combinar, sai muito mais barato e causa menos estrago que toda uma fuga alucinada. Umas sessõesinhas de terapia sempre ajudam!
Assim, fica mais fácil encher a casa do nosso eu de uma decoração bem básica, e gratuita, que nos fará belos e felizes, de fato: muita luz, muita paz, muita verdade, coerência. E, claro, muito amor! Isso traz saúde, bem estar pra si e os demais... Isso é ser corajoso, digno. Atrai encantamento e beleza de fora, porque emana de dentro. E, então, para onde quer que se olhe, cada cantinho escondido, nos saberemos felizes!
Rita – 24/01/10 – 11.52